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UFPR Pensando o Brasil – Jornalistas e pesquisadores debatem o risco das noticias falsas para a democracia

Superintendência de Comunicação Social     13 de setembro de 2017 - 10h12

O risco que a disseminação de notícias falsas representa para a democracia foi o tema central do debate “Opinião pública e pós-verdade”, realizado na noite desta terça-feira (12), como parte do ciclo UFPR Pensando o Brasil. Estudantes, professores e pessoas da comunidade externa lotaram o auditório do Setor de Artes, Comunicação e Design para assistir ao debate, que também foi transmitido pela internet pela UFPR TV, com 2,4 mil visualizações só no Facebook.

O evento teve como convidados os jornalistas Rodrigo Flores, diretor de conteúdo do UOL, e Juliana Dal Piva, subeditora da Agência Lupa, pioneira em fact-checking (checagem de fatos e dados) no Brasil, e a jornalista e professora Kelly Prudencio, do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPR. Também participaram o professor Emerson Urizzi Cervi, do Departamento de Ciência Política, como mediador, e a professora Regiane Ribeiro, do Departamento de Comunicação, como apresentadora.

Ao abrir o debate, o reitor Ricardo Marcelo Fonseca disse que a intenção do ciclo UFPR Pensando o Brasil é promover reflexões sobre temas fundamentais no momento turbulento que vivemos e tomar parte no debate. “Temos hoje uma inflação de informações, e a universidade exerce a função de filtro nesse cenário – especialmente a universidade pública, que, apesar da crise e de movimentos que visam abalá-la, produz 90% da ciência gerada no País”, afirmou.

“Frente ao excesso de ruído midiático, nós, profissionais da comunicação, devemos buscar ser melhores guias e usar nossa inteligência para não ficar à deriva na estupidez coletiva”, disse a professora Regiane Ribeiro.

Foto: Marcos Solivan

O professor Emerson Cervi lembrou que a expressão “pós-verdade” – apontada como a palavra do ano de 2016 pelo Dicionário Oxford – é na verdade um nome novo para algo muito antigo. “São conteúdos que se utilizam mais da emoção e de crenças pessoais do que de fatos objetivos para influenciar a opinião pública. Isso não é novo. A diferença é que agora experimentamos isso em escala planetária”, afirmou.

De acordo com Cervi, a pós-verdade “não é produzida pelo cidadão comum, mas por estruturas especializadas, com determinada finalidade que não raramente é produzir visões de mundo contaminadas por patologias sociais, como xenofobia, homofobia, antissemitismo”. Para o professor, isso coloca em xeque a própria liberdade de expressão. “Quando produz um debate sectário, e não integrador, a livre expressão pode levar ao enfraquecimento do debate democrático. Ela só é válida quando cultiva o ethos democrático. Quando fere a dignidade de grupos ou indivíduos, a livre expressão fere o ethos democrático”, disse Cervi.

A jornalista Juliana Dal Piva defendeu que a liberdade de expressão é um valor absoluto. “Temos que centrar a discussão em como ela é usada, e chamar as pessoas à responsabilidade no uso dessa liberdade”, afirmou. Juliana destacou que vem crescendo no Brasil o número de veículos de comunicação com estruturas dedicadas exclusivamente à checagem de informações. “A Agência Lupa foi pioneira e se dedica exclusivamente à checagem, mas hoje vários veículos possuem áreas exclusivas para isso”, afirmou.

Foto: Marcos Solivan

O jornalista Rodrigo Flores, diretor de conteúdo do UOL – que recentemente criou a divisão UOL Confere para publicar checagens de dados e declarações – disse que as notícias que envolvem verificação de boatos estão sempre entre as mais lidas do portal. Ele rebateu críticas de que o jornalismo muitas vezes contribui para disseminar meias verdades e lembrou que alguns veículos possuem mecanismos internos de crítica. “Eu trabalho numa organização que mantém um ombudsman para acompanhar o que é publicado”, afirmou.

Para a professora Kelly Prudencio, porém, a imprensa muitas vezes falha no trabalho de checagem. “Muitas vezes a validação de uma matéria vem simplesmente do que a fonte diz. Pareceu verdade, está valendo”, criticou. Ela citou um artigo recente do jornalista Álex Grijelmo publicado no El País, em que ele afirma que a pós-verdade não é composta apenas de mentiras, mas também de insinuações, pressuposições, subentendidos, inversões de relevância e informações fora de contexto.

“A imprensa é instituição fundamental na tradução e mediação das informações. Mas sempre haverá opiniões muito representadas e outras subrepresentadas, cujas fontes ainda não conseguiram acesso à esfera de visibilidade que a imprensa abarca”, afirmou Kelly.

Próximos debates

O próximo debate do ciclo UFPR Pensando o Brasil será no dia 5 de outubro, no auditório do Setor Litoral, sobre “Desigualdade e direitos sociais no Brasil: movimentos, conflitos e alternativas”.

No dia 17 de outubro, o tema será reforma política, e o debate acontecerá auditório do Setor de Ciências Juridicas.

Lorena Aubrift Klenk


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