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Relação entre temperatura e casos de dengue em Curitiba é tema de artigo assinado por bolsistas de IC do LaboClima

Camille Bropp     7 de dezembro de 2017 - 14h45

Um artigo científico produzido por duas bolsistas de Iniciação Científica (IC) do Laboratório de Climatologia (LaboClima) da UFPR joga um pouco de luz sobre a relação entre as temperaturas médias de Curitiba e a incidência de casos de dengue (leia aqui). O objetivo do trabalho foi comparar o número de casos autóctones (de pessoas que contraíram dengue onde moram) com a evolução das temperaturas médias da capital paranaense entre 2011 e 2015.

Com isso, Julyana Baroni da Silva e Fernanda Crystina Souza conseguiram indicativos de que o frio vem, sim, ajudando a manter o número de casos de dengue na cidade fora de uma situação de epidemia. Trata-se de uma condição peculiar na comparação com outras grandes cidades paranaenses, como Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e Paranaguá, que enfrentaram epidemias recentes de dengue. A questão é: até quando o frio ajudará a capital?

Da esq. para dir.: as alunas de Geografia Julyana Baroni da Silva e Fernanda Souza, e Wilson Flávio Roseghini, professor que as orientou. Foto: Marcos Solivan/Sucom UFPR

“A correlação entre temperaturas nas cidades e casos de dengue já é bem documentada pela literatura científica, que mostra que a temperatura é uma das condicionantes para a proliferação do mosquito da dengue”, conta Julyana. “No caso de Curitiba, temos temperaturas que vêm subindo nos últimos anos e que, dependendo da época do ano e do mês, têm criado condições para que o mosquito se reproduza com mais facilidade”.

Mudanças

Segundo o professor do Departamento de Geografia Wilson Flavio Roseghini, que coordena o LaboClima e o projeto que originou o artigo, o caso de Curitiba é rico para o tema porque se trata de uma cidade cujo clima natural ameno tem sido substituído por um clima urbano, que é mais quente devido à formação das ilhas de calor típicas da cidade. “A temperatura natural da cidade não era propícia para a reprodução do mosquito, mas a urbana, talvez, sim. Com essas comparações, temos conseguido mostrar a influência do clima urbano na proliferação do mosquito”, compara Roseghini.

Médias das temperaturas médias de Curitiba. Imagem: Reprodução

São cinco as cidades paranaenses analisadas no projeto de pesquisa “A influência do clima urbano na proliferação do mosquito Aedes Aegypti no Paraná: correlação entre os cenários de aumento da temperatura e a expansão da Dengue, Chikungunya e Zika”, coordenado por Roseghini.

Entre elas, Curitiba é a que apresenta menos casos autóctones, mas, em alguns meses do período, ocorreram picos consideráveis. Um exemplo é o mês de abril de 2015, quando foi registrado o maior número de casos da série (12), sendo que nos dois meses anteriores não haviam sido confirmados novos casos.

Casos autóctones de dengue detectados entre 2011 e 2015 em Curitiba. Imagem: Reprodução

As condições ideais para que o mosquito se reproduza reúnem temperaturas altas — entre 18ºC e 32ºC — intercaladas com períodos chuvosos, que criam os logradouros onde os ovos são depositados. Nessas condições, as larvas se transformam no inseto em dez dias após o ovo eclodir. Ainda há o fato de que, em situações adversas, os ovos podem resistir por até 450 dias sem se transformar em larvas.

Políticas públicas

Para escreverem o artigo, as alunas dividiram as tarefas: enquanto Julyana checou os dados climáticos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Fernanda consultou o dados da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba e de site específico da Secretaria da Saúde do Paraná que revelam a incidência de dengue na cidade. A correlação entre os dados foi verificada por meio de uma equação estatística, a regressão linear, usada para gerar estimativas do valor esperado de uma variável.

Políticas públicas de combate ao Aedes Aegypt devem ser reforçadas à medida que temperaturas sobem em Curitiba. Foto: SMS-POA, BD, 2/6/2015

Com isso, chegaram à conclusão de que a variação da temperatura do ar na cidade está diretamente relacionada com o aumento de casos autóctones de dengue, principalmente quando coordenada com chuvas. O artigo menciona, porém, que o cenário das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypt depende de múltiplos fatores, inclusive sociais, como saneamento básico e coleta de lixo adequados.

Portanto, o trabalho também alerta para a importância de que as políticas públicas sejam reforçadas à medida que as temperaturas naturais de Curitiba podem não mais contribuir tanto para manter essas doenças sob controle.

Parte desses alertas é feito semanalmente pelo projeto Sistema de Alerta Climático da Dengue (SAC Dengue), do LaboClima, desde 2010. Por meio de boletins, o laboratório divulga as condições climáticas que podem provocar surtos de dengue nas cidades do Paraná. Além disso, outro projeto de pesquisa desenvolvido no LaboClima, em âmbito de mestrado, complementará os estudos mostrando a influência do inverno sobre o contágio da dengue em Curitiba, com primeiros resultados previstos para 2018.

Geografia

Para estudantes que se interessam por Geografia, o trabalho por trás da elaboração do artigo também reúne informações interessantes sobre o que se espera atualmente do geógrafo. “O curso de Geografia foi uma surpresa grande para mim. Não imaginava que teria tantas aulas de estatística e cálculo. Mas foi uma surpresa boa, porque também não imaginava que poderia ajudar a melhorar cidades”, comenta Fernanda.

Dessa forma, as bolsas de IC acabam por ter impacto essencial na formação deste profissional, na avaliação de Julyana e Fernanda. “A universidade tem esse dever de ajudar a melhorar a sociedade. Nas bolsas, você aprende a lidar com todas as ferramentas necessárias”, diz Julyana.


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