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Ensino e Educação

Referência no país, bancas especiais da UFPR garantem participação de candidatos que precisam de apoio diferenciado no vestibular

Jéssica Tokarski     12 de setembro de 2017 - 15h56

O momento da realização da prova do vestibular normalmente é de nervosismo, apreensão e exige um preparo especial dos candidatos que desejam concorrer a uma vaga na universidade.  As dificuldades aumentam quando a pessoa tem alguma deficiência ou necessidade especial e precisa de recursos diferenciados para passar por essa etapa. É para atender os candidatos que necessitam de apoio, recursos e assistência específica que as bancas especiais existem na Universidade Federal do Paraná. Ofertado desde 1991, o serviço é hoje referência para instituições de todo o País.

Trata-se de banca composta por uma equipe de profissionais de diversas áreas que atende às demandas de alunos com necessidades educacionais especiais durante a prova. Assim, esse serviço auxilia pessoas com deficiência física, visual e auditiva,  autistas, disléxicos, pessoas com déficit de atenção (TDH) e alunos que, de alguma forma, precisem de um apoio pedagógico ou de acessibilidade física diferente dos demais. Portanto, as bancas especiais dão suporte para além das pessoas com deficiência.

A iniciativa existe na UFPR desde 1991 e, com o passar do tempo, a equipe foi aumentando para dar conta da demanda também crescente.  São servidores da universidade, parceiros, profissionais da educação básica que já trabalham nesse campo, pessoas das mais diversas áreas de atuação que se voluntariam para auxiliar nesse momento e se transformam em ledores, redatores, intérpretes e verdadeiros “anjos da guarda” desses candidatos.

“Nós temos um bom grupo de profissionais que trabalha há muitos anos. Realizamos palestras e prestamos informações. Anualmente temos feito cursos e todos os integrantes da banca são convidados”, explica Laura Ceretta Moreira, coordenadora do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNE). Além das orientações sobre o que é cada necessidade especial e o que esses alunos precisam, os aplicadores têm uma série de protocolos a seguir. “O redator, por exemplo, sabe exatamente o que deve perguntar. Ele vai questionar onde deve inserir a vírgula, o ponto final e como se escrevem palavras de maior grau de complexidade. Existem os critérios que fomos aprendendo e criando”, conta.

Foto: Rodrigo Juste Duarte

Necessidades

As necessidades atendidas pelas bancas envolvem recursos de materiais, como computadores especiais para pessoas com deficiência visual,  mesas e cadeiras com dimensões diferenciadas e salas individuais. Mas as principais solicitações são de profissionais especializados.

Pessoas com deficiência visual, por exemplo, podem contar com ledores e redatores para realizar a prova ou, ainda, computadores detentores de softwares que fazem leitura, multiplano – ferramenta que dá noção de espaço para cálculos -, impressora 3D, etc.

Os ledores normalmente são distribuídos por disciplinas:  para dar uma interpretação correta à leitura do material, profissionais de ciências exatas realizam a leitura das provas de química, física e matemática. O mesmo acontece com professores de inglês e espanhol que fazem a leitura da prova de língua estrangeira e assim por diante.

“É feito um rodízio entre os diversos candidatos que necessitam dos ledores. Uma pessoa vai passar por vários ledores e vai ficar em uma sala individualizada”, comenta Laura. Nos casos de dislexia também podem ser solicitados ledores e pessoas com déficit de atenção costumam realizar a prova em uma sala à parte com auxílio de um redator para preencher o gabarito. Já os candidatos com deficiência auditiva têm o apoio de um intérprete de Libras.

A solicitação de atendimento especial é feita no momento da inscrição para o vestibular. Ao se identificar com necessidade especial, o candidato percorre um caminho diferente dos demais no site. “Ele vai preencher formulários nos quais indica as necessidades que tem. A partir dessa identificação, elencamos, para cada área, uma série de recursos que temos condição de atender. Cada necessidade tem sua especificidade e organizamos caso a caso”, informa a coordenadora.

Os estudantes com essas necessidades especiais precisam entregar uma documentação específica de acordo com cada situação, para facilitar a organização da equipe. Além do atendimento especial e dos recursos individualizados, esses candidatos também têm direito a uma hora a mais para a realização da prova.

Foto: Samira Chami Neves

Grande procura

A UFPR e a coordenadora Laura Ceretta Moreira são referência na área de bancas especiais no Brasil. Laura conta que é chamada de norte a sul do País para auxiliar na implantação não só de bancas especiais, como de bancas de verificação – que analisam se o candidato cumpre os requisitos da vaga de cotas ou vaga suplementar solicitada – em outras instituições.

Em 1991 apenas algumas dezenas de alunos requisitavam o serviço. Atualmente a equipe atende uma média de 160 pessoas com necessidades especiais na primeira fase de cada vestibular. “Este ano estamos com expectativa de que esse número aumente. A notícia da inclusão das pessoas com deficiência na Lei de Cotas está muito difundida”, afirma Laura. Apesar de as bancas não atenderem apenas aquelas pessoas que vão concorrer a uma vaga por meio das cotas, a tendência é que a procura aumente devido à notícia.

Segundo a coordenadora, candidatos com deficiência física têm maior presença entre os atendidos. Com relação às necessidades especiais, pessoas com déficit de atenção e dislexia também estão em grande número. “Por vezes atendemos estudantes que têm até síndrome do pânico e necessitam de apoio”.

Em todos os casos o candidato deve comprovar sua situação antecipadamente mediante laudos médicos e estar em conformidade com os critérios estabelecidos no edital.

Foto: Samira Chami Neves

Garantia de direitos

Wagner Bitencourt. Foto: Marcos Solivan

Deficiente visual, Wagner Bitencourt só conseguiu ingressar na universidade devido às bancas especiais. Em 2005 ele prestou vestibular para Filosofia e teve apoio de leitores e redator para fazer a prova. “Esses profissionais foram fundamentais para a realização do vestibular e, consequentemente, meu acesso à universidade. Se não fosse por eles, eu não conseguiria realizar a prova em braille, pois eu não possuía habilidade de leitura nesse sistema, já que fui alfabetizado enquanto ainda enxergava”, conta.  Na época, a utilização de softwares leitores de tela que permitem a operação de computadores por deficientes visuais ainda não era difundida. Atualmente, Bintencourt é servidor da UFPR e trabalha no NAPNE.

Lucas Rodrigues também tem deficiência visual e está cursando o quarto período de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Ele realizou o vestibular em 2014 e foi auxiliado por um ledor, além do material em braille.  “Meu maior desafio foi na leitura dos textos, pois eram muito extensos e o tempo limitado. O atendimento permitiu maior agilidade na realização da prova e melhor percepção e compreensão das questões. É um auxílio que provê mais independência e rapidez nessa etapa”, relata.

A servidora aposentada Lucia Mion está no grupo de profissionais que atua nas bancas especiais desde o início do projeto e já ajudou candidatos com deficiência visual, baixa visão, disléxicos, detentores de paralisia cerebral, de déficit de atenção, entre outros. Ela conta que os procedimentos para a banca dependem de cada caso que atende. “Na aplicação de prova para um cego, por exemplo, vou preparada para ler a prova e repetir cada questão quantas vezes for necessário. Além disso, procuro controlar o tempo de cada pergunta para que o candidato não tenha prejuízo e consiga terminar o teste dentro do prazo estabelecido”.

Lucia considera que tem a função de dar condições aos candidatos com necessidades especiais para que eles realizem seus sonhos. “Sinto-me extremamente gratificada em fazer parte desta etapa da vida de cada um deles. Participar das bancas especiais é um eterno aprendizado”, emociona-se.

Para Laura, essa é uma garantia do direito e do respeito à diferença. “Não podemos só pensar em igualdade de oportunidade para todos, é necessário ter uma igualdade que respeite as diferenças. Essa é a possibilidade deles de fato realizarem as provas a partir daquilo que realmente necessitam, sejam recursos de acessibilidade pedagógica ou física”.

Apoio pedagógico e de permanência

Importante também é o suporte oferecido pelo NAPNE para permanência no curso. Após o ingresso dos estudantes na instituição, é criado um plano para cada um deles individualmente, discutido com cada professor, com a coordenação e abrangendo os recursos necessários.

Rodrigues comenta que recebe apoio da biblioteca do Centro de Tecnologia da Informação e da sala de recursos do Prédio D. Pedro II na adaptação e transcrição de materiais e conteúdos. O suporte da unidade vai desde problemas de acessibilidade nos campi e estudo de possíveis adaptações, apoio didático-pedagógico aos alunos e professores, articulação de ações de ensino, pesquisa e extensão na área das necessidades educacionais especiais, até digitalização e correção de materiais impressos.

Foto: Rodrigo Juste Duarte

“Uma novidade é a criação do grupo de convivência. Estamos fazendo de tudo para que haja um empoderamento e que esses estudantes se identifiquem como grupo e saibam lutar pelos seus direitos”, explica a coordenadora do NAPNE que também destaca a dificuldade que muitos têm em colocar a deficiência para o professor e torná-la pública. A unidade trabalha em todos os sentidos para a melhoria desse contexto.


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