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PRPPG quer melhorar posição da UFPR no ranking de pesquisa e pós-graduação

Jéssica Tokarski     14 de fevereiro de 2017 - 10h58

Foto: André Filgueira/ Sucom UFPR

A defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade é vista como uma missão pelo pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPR, Francisco de Assis Mendonça. Um compromisso nascido de sua própria trajetória: filho de uma família humilde, ele encontrou no ensino público o caminho possível para definir seu destino a partir da educação. Hoje, faz parte do restrito grupo de 13 pesquisadores da UFPR aos quais o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) atribui o nível 1A, que equivale ao grau de excelência.

À frente da PRPPG, Mendonça quer estabelecer políticas de apoio, estímulo e facilitação da pesquisa e da pós-graduação, visando melhorar a posição da UFPR no ranking nacional de pesquisa e pós-graduação. A meta é garantir que a universidade alcance conceitos mais altos na avaliação da Capes e finalmente tenha cursos com conceito máximo, o que não ocorre hoje. Para isso, considera que um dos caminhos indispensáveis é a internacionalização da instituição, com intuito de aprofundar o intercâmbio de experiências e conhecimentos, sem esquecer a rica troca com instituições nacionais.

“O grande desafio é tornar visível o enorme potencial da UFPR e proporcionar condições para seu pleno desenvolvimento”, afirma o pró-reitor, que costuma trabalhar em sua sala ouvindo Bach, Mozart e Beethoven – o que, segundo ele, estimula o cérebro e o rendimento intelectual.

Conte um pouco sobre sua trajetória de infância e juventude.

Eu sou mineiro de nascimento, mas vivi com minha família em Goiás até a formação universitária, na Universidade Federal, onde me graudei. Sou originário de uma família bastante humilde, afetada pelo processo de êxodo rural dos camponeses na década de 1960. Esse contexto de família humilde e pobre é algo que sempre evoco quando falo do papel das instituições públicas, porque não fosse a instituição pública e gratuita, eu provavelmente não teria estudado.

Quando me graduei, em 1984, já era professor do ensino médio e sonhava em cursar pós-graduação. Tive a sorte de passar em um concurso para professor na Universidade Estadual de Londrina, onde iniciei minha carreira como docente universitário. Paralelamente, entrei no mestrado na Universidade de São Paulo (USP). Trabalhando em Londrina, eu viajava todas as semanas para São Paulo. Foi dessa forma que também concluí o doutorado. Desde essa época eu já tinha uma vinculação muito forte com a pesquisa. Durante a pós-graduação também fui estudar no exterior, sempre com bolsas de estudo. Estudei na França, por duas vezes, na Inglaterra e no Chile.

De que forma ingressou na vida acadêmica?

Eu sempre tive que trabalhar para me sustentar e, ao mesmo tempo, perseguir o sonho de estudar. Entrei no curso de Geografia justamente porque me permitia estudar e trabalhar. O primeiro ano de graduação pude cursar à noite, mas a partir do segundo ano o curso era diurno, então eu tive que sair da Ford, onde trabalhava, e me virar. Assim comecei a dar aulas particulares, aulas de reforço de inglês, matemática e literatura. Logo depois, fui chamado por um colega para substituir um professor em uma escola e desta maneira comecei a dar aulas.

Então, foi a necessidade que me fez descobrir algo fantástico, que é a atividade enobrecedora de professor. É uma responsabilidade profunda você saber que, a cada dia, um conjunto de estudantes se espelha em você e nos valores que você transmite. Eu me lembro de professores que mudaram minhas concepções de mundo e me mostraram a beleza do conhecimento e os caminhos para alcançá-lo. Acredito que o que influencia um aluno não é só o conteúdo que o docente passa, mas também a forma como ele se dirige às pessoas, a sua postura diante do mundo. Quando eu comecei a dar aulas, a responsabilidade era algo que passava muito pela minha cabeça, porém foi o brilho nos olhos daquelas crianças e adolescentes que fez com que eu me encantasse pela profissão. Depois disso, nunca mais saí da docência.

Como foi construída sua relação com a Universidade Federal do Paraná?

Em 1995, quando já tinha concluído o doutorado, eu trabalhava na UEL e, ao mesmo tempo, fui convidado para assessorar a instalação do Instituto de Planejamento Urbano da prefeitura de Londrina e a elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento do município. Paralelamente, colegas da UFPR me informaram que haveria um concurso, então eu realizei a seleção e ingressei como professor aqui. Eu já tinha o desejo de vir para Curitiba, por ser um momento em que a cidade estava despontando no cenário internacional como referência. Em 1993 foi criado, aqui na UFPR, um curso de doutorado interdisciplinar em meio ambiente e desenvolvimento, que foi para mim um chamariz enorme. Então, quando entrei na UFPR, em 1995, imediatamente fui convidado para compor esse curso de doutorado. Eu era apenas um aspirante e admirador da iniciativa, mas os colegas do programa acolherram-me de uma maneira fantástica, com um grande reconhecimento às minhas competências, às minhas vontades e aos meus projetos. Assim, inseri-me no Departamento de Geografia e no Programa de Doutorado Interdisciplinar, onde estou há 22 anos. Contudo, tenho um raio de ações enorme em vários outros cursos e iniciativas.

Quais funções já exerceu na universidade?

Fui o proponente-criador, coordenador e vice-coordenador do mestrado e do doutorado em Geografia. Fui também um dos criadores, coordenador e vice-coordenador do Doutorado Interdisciplinar em Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Assumi outras atividades como coordenador de comissões de processos seletivos, presidente do comitê de professor leitor e representei a universidade em várias instâncias internas e externas. Também já fui membro do comitê de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Fiz parte de uma primeira comissão, que estruturou o modelo de avaliação em voga nos dias atuais, que visava equiparar a produção científico-técnica brasileira à de grandes universidades mundiais. Durante quatro anos criamos os primeiros procedimentos para organizar, credenciar e qualificar o sistema de pós-graduação brasileiro em Geografia. Esse foi talvez um dos elementos que me habilitaram a assumir a PRPPG, porque trago de lá um conhecimento que é fundamental.

Fui também professor convidado, por duas vezes, na Université de Sorbonne / Paris I e IV, na Université de Haute Bretagne / Rennes 2, ambas na França; e pesquisador convidado da London School of Hygine and Tropical Medecine. Estas experiências coroaram minha carreira docente.

Também tenho uma considerável trajetória em pesquisa; em 2012 recebi, com orgulho, a elevação de minha produção científica-intelectual para Pesquisador 1-A do CNPQ. Eu sonhava em produzir conhecimento e avançar do ponto de vista científico e intelectual, além de ajudar os meus estudantes e colegas a também avançarem, mas sem almejar essa certificação. Porém, a partir do momento que a recebi, entendi que era o reconhecimento pelo nosso trabalho aqui no Brasil e no exterior. Esse reconhecimento contribuiu bastante para ampliar nosso leque de ações no plano internacional, inclusive a chance de representar a Cátedra da UFPR na questão de desenvolvimento sustentável na UNESCO, em Paris.

Assumindo a função de pró-reitor, será preciso conciliar suas atividades de gestão com as de pesquisa. O que o motivou a isto?

Espelho-me em colegas de altíssima qualidade e competência que conseguiram assumir uma gestão administrativa sem parar a produção científica e intelectual. Não é fácil, mas lembro que consegui esse reconhecimento científico-intelectual do CNPQ de forma paralela às minhas atividades de coordenador de pós-graduação, diretor de instituições científicas nacionais e internacionais, professor e participante de movimentos sociais, além de meus compromissos paternos. Tenho clareza de que o papel de pró-reitor em uma universidade grande como a UFPR exige muita dedicação para que se obtenha o sucesso almejado pela instituição, mas farei o possível para que minha produção não seja interrompida.

Dois elementos me fizeram aceitar o convite para a pró-reitoria. Primeiramente, o compromisso que tenho com a manutenção da universidade pública, gratuita e com qualidade. Eu jamais teria chegado aqui se não fosse a escola pública, como afirmei, e por isso me sinto no dever de lutar pela manutenção dessa condição, para que outros também tenham essa oportunidade.

O segundo elemento que me levou a assumir a função é a amizade e a confiança que tenho com o professor Ricardo Marcelo e com a professora Graciela Bolzón. Nós dividimos a crença de que temos como dever social a defesa dessa universidade pública de qualidade e de lutar para que a ela seja cada vez mais plural, mais aberta, mais inclusiva e mais cidadã.

Quais suas metas para sua gestão na PRPPG?

A UFPR tem um potencial gigantesco a ser explorado na pesquisa e na pós-graduação. O grande desafio será tornar esse potencial visível e proporcionar condições para seu pleno desenvolvimento.

Comparativamente com os outros estados do sul do Brasil, nossa área de pesquisa e pós-graduação fica em terceiro lugar. Atualmente nós não temos na UFPR nenhum curso com conceito 7, nota máxima na Avaliação do Sistema Nacional de Pós-Graduação da Capes. Para adquirir o conceito máximo, o curso deve possuir a mesma produção reconhecida em termos de tese, dissertações, publicações, pesquisas e corpo docente que instituições internacionais de alta qualidade. Acredito que o que nos falta é implantar processos estimulantes e motivadores para que nossos programas cheguem a esse patamar. É fundamental a internacionalização da pós-graduação, que implica promover a ida de alunos e professores ao exterior para disseminar o conhecimento aqui produzido e estudar, fazer intercâmbio de conhecimento, publicações e também trazer pessoas fora com esse objetivo.

Além disso, é necessário que o diálogo com outras instituições, nacionais e internacionais, seja institucionalizado, pois isso garante que alunos, servidores e demais agentes também participem. Abrir as portas da universidade e promover o intercâmbio de conhecimentos é fundamental.

Outro objetivo é criar políticas internas de motivação, incentivo, facilitação e de prazer na produção do conhecimento. É necessário que toda a instituição esteja envolvida e é papel do pró-reitor dialogar e incentivar.

A ideia é dar prioridade às atividades-fim da universidade – ensino, pesquisa e extensão –, visando a uma formação cidadã e que promova transformações na sociedade. Nós estamos em um momento de recursos escassos, mas temos excelentes recursos de criatividade, de pessoal capacitado, de otimismo e de entender as necessidades de transformação. É essa forma de pensar que nos anima para os próximos quatro anos.

Quais serão os maiores desafios nessa função?

As mudanças no orçamento, que estão acontecendo em consequência da crise mundial e brasileira, nos mostram que devemos racionalizar o uso dos recursos das instituições públicas. Aqui na PRPPG nós já estamos fazendo isso, observando onde e como estão sendo aplicados os recursos dessa pasta. Estamos revendo processos, e implantando dinâmicas que tornam mais transparentes e confiáveis tanto a gestão de recursos financeiros quanto da produção científica-intelectual.

Atualmente cabe a nós, pró-reitores, e ao professor Ricardo Marcelo e à professora Graciela Bolzón a defesa dessa universidade e fazer com que ela atinja patamares ainda melhores de inclusão, cidadania, qualidade, transparência e excelência. Esses ideais nos colocam juntos nesse momento da história. E mesmo com todos os desafios e com a crise, nossa equipe conta com enorme otimismo e boa vontade.


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