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Ciência e Tecnologia

Professor Paulo Soethe recebe renomado prêmio internacional para pesquisadores da língua alemã

Helen Mendes     18 de agosto de 2015 - 14h21

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Primeiro latino-americano a ser designado detentor do Prêmio Jacob e Wilhelm Grimm, Paulo Soethe é docente da UFPR há 23 anos. Foto: Rafael Mendonça

O renomado Prêmio Jacob- und Wilhelm-Grimm do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) foi concedido neste ano ao professor Paulo Astor Soethe, do Departamento de Polonês, Alemão e Letras Clássicas da UFPR. É a primeira vez que um latino-americano recebe esta premiação.

Paulo Soethe é proeminente pesquisador da obra de Thomas e Heinrich Mann e de sua história de família brasileira (a mãe dos escritores veio do Brasil). Ele explora referências latino-americanas na literatura e língua alemãs.

Desde 1992, Soethe é docente da UFPR, na graduação em Letras e no Programa de Pós-graduação em Letras. O professor graduou-se em Letras Alemão-Português na UFPR e concluiu mestrado e doutorado em Letras (Língua e Literatura Alemã) na Universidade de São Paulo (USP). Durante seu doutorado, realizou estágio de pesquisa de um ano na Universidade de Tübingen como bolsista Capes/DAAD. Também na Universidade de Tübingen, cumpriu pós-doutorado como bolsista da Fundação Alexander von Humboldt.

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A cerimônia de premiação acontecerá em Xangai, no dia 25 de agosto. Foto: Raimond Spekking/ Wikimedia Commons

O júri reconheceu, além de suas realizações acadêmicas, seu compromisso com políticas linguísticas. Ele defende, entre outras coisas, o suporte linguístico adequado para a internacionalização das universidades brasileiras e a ampla oferta de idiomas estrangeiros para estudantes de todos os cursos.

Soethe coordena o ARCHIV.BR, projeto de cooperação internacional que explora, documenta e pesquisa a participação de falantes e intelectuais de língua alemã na estruturação da sociedade brasileira a partir do século 19.

O Prêmio

O DAAD concede aos agraciados uma quantia de 10 mil euros e estadia de um mês para pesquisas na Alemanha.

Desde 2011, o DAAD também concede o Jacob- und Wilhelm-Grimm-Förderpreis (Prêmio de Incentivo Jacob- und Wilhelm-Grimm) a jovens pesquisadores das áreas de literatura alemã e de alemão como idioma estrangeiro. Neste ano, o prêmio vai para o queniano James Meja L. Ikobwa, que vai receber uma quantia de 3 mil euros e estadia para pesquisas na Alemanha.

A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá no dia 25 de agosto, durante o Congresso da Associação Internacional de Germanística, em Xangai (China). São esperados para evento mais de mil germanistas de todo o mundo.

O DAAD designa o Prêmio de Incentivo e o Prêmio Jacob- und Wilhelm-Grimm a cientistas internacionais que, além de suas realizações acadêmicas, se engajam de maneira especial na cooperação internacional nas áreas de germanística e alemão como língua estrangeira. A comissão do júri é formada pelo Conselho de Germanística do DAAD.

 

 

Em entrevista à Assessoria de Comunicação da UFPR, o professor Paulo Soethe  falou sobre o Prêmio e o seu trabalho:

O que representa receber essa premiação, especialmente como o primeiro latino-americano agraciado?

Receber o prêmio é mesmo uma satisfação muito grande porque, como primeiro latino-americano agraciado, posso partilhá-la de imediato com os inúmeros colegas, amigas e amigos de nosso continente. De certo modo, é a Germanística praticada em nossas diversas Universidades e de diversas formas que recebe o reconhecimento científico e cultural por essa concessão generosa feita à minha pessoa. Nossa Universidade e a Cidade de Curitiba sediaram em setembro do ano passado o XV Congresso da Associação Latino-americana de Estudos Germanísticos, e creio que para muitos colegas a notícia vai evocar também as boas lembranças desse evento.

Além disso, também me sinto muito feliz como brasileiro, e como integrante da UFPR, à qual estou ligado desde 1986, quando iniciei a graduação, e da qual sou docente há 23 anos. Foi como docente da UFPR que desde o início pude contar com o apoio de diversas instituições e inúmeros e inúmeras colegas, no Brasil, Alemanha e Áustria, e de modo especial com o apoio dos excelentes alunos e alunas de graduação e pós-graduação que tive o privilégio de acompanhar.

Para mim foi sempre importante conseguir conciliar em minhas atividades, de um lado, a dedicação à formação de professores e questões de política educacional em nosso País e, de outro, a pesquisa e reflexão científica. Pela natureza de nossa área e em face do contexto histórico e social brasileiro, encontro na dedicação às questões ligadas à educação básica minha razão de ser como professor em uma universidade pública. Essa dimensão é para mim a fonte de um compromisso intelectual, moral e social iniludível; mas é fonte também da alegria, energia e criatividade para o trabalho científico.

 

O senhor pesquisa a representação da Alemanha na literatura brasileira, por exemplo em Guimarães Rosa. E também sobre as marcas do Brasil na obra de Thomas Mann. O senhor pode falar um pouco sobre isso e sobre outros temas aos quais se dedica em sua pesquisa?

No meu caso, a atividade científica e de pesquisa em nível de pós-graduação se destina aos Estudos Literários em perspectiva internacional (sob a consideração do Brasil e da Europa de língua alemã como uma “inter-área”). Interessa-me refletir nessa área sobre a pesquisa documental em arquivos e o caráter interdisciplinar que decorre desse tipo de atividade, como caminho para se valorizar, de um ponto de vista acadêmico e cultural, a inserção sistemática e decidida da literatura em debates amplos nas Humanidades e no espaço público. Guimarães Rosa e Thomas Mann, de modos diferentes, foram homens públicos, atuando decididamente, também do ponto de vista político, nas décadas de 1930 e 1940, anos incrivelmente difíceis. Da relação de um e de outro com a Alemanha e o Brasil, respectivamente, resultaram traços em suas obras ainda pouco estudados, e há sobretudo bastante material de arquivo (especialmente no caso de Guimarães Rosa) a ser inventariado, analisado e colocado em relação com sua atuação como escritor. O tipo de trabalho que desenvolvo, em parceria com outros colegas, pode ser visto, no caso de Thomas Mann, em uma publicação relativamente recente, que me permito recomendar como apresentação voltada também ao grande público de um aspecto importante da obra de Thomas Mann, mas que evidencia sobretudo um aspecto importante em nossa história cultural, bem mais internacionalizada que se costuma supor. Penso aqui no livro Terra mátria. A família de Thomas Mann e o Brasil (Civilização Brasileira, 2013), que escrevi em parceria com Karl-Josef Kuschel e Frido Mann.

 

Em que instituição o senhor está fazendo seu pós-doutorado?

Estou na Universidade de Potsdam, trabalhando com o romanista Ottmar Ette, com quem já coopero há vários anos. Coordenamos juntos um projeto de pesquisa apoiado pelo programa PROBRAL (CAPES/DAAD). Este ano também dei aulas na Universidade de Passau, em parceria com a colega Susanne Hartwig. E estou em diálogo permanente com o Arquivo Literário Alemão, de Marbach, e a Universidade de Colônia, parceiras no projeto ARCHIV.BR, que no Brasil está sediado em nossa Instituição e envolve, internamente, além de professores e alunos da graduação e do PPG em Letras, também colegas da Biblioteca Central e o Prof. Daniel Weingaertner, do PPG em Informática. Para este último projeto temos contado com apoio e simpatia de colegas de outros PPGs, da PRPPG e da Direção do Setor de Ciências Humanas.

 

Com informações do DAAD


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