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Ciência e Tecnologia

Paulo Lana: o pesquisador que ajudou a consolidar o Centro de Estudos do Mar

Superintendência de Comunicação Social     12 de abril de 2017 - 15h26

A Universidade Federal do Paraná tem muitas áreas de excelência espalhadas por seus setores e campi. Entre elas, estão laboratórios e grupos de pesquisa liderados por pesquisadores que alcançaram o topo da carreira no Brasil. São pesquisadores que, segundo os critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), se destacam entre seus pares, alcançando o nível 1A, o mais alto na modalidade de bolsas Produtividade em Pesquisa.

Nas próximas semanas, o portal da UFPR publicará uma série de reportagens sobre os pesquisadores 1A da universidade e o trabalho científico que desenvolvem.

 

“Gosto de minhocas marinhas, tema no qual me especializei,  mas gosto muito mais de pessoas.” A citação no Currículo Lattes do pesquisador Paulo da Cunha Lana, do Centro de Estudos do Mar da UFPR, deixa clara a importância que este biólogo formado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro em 1977 dá à dimensão humana no campo da ciência. Professor da UFPR há 37 anos, Lana trabalha com bentos, os seres vivos que vivem no fundo do mar, relacionando-os com meio ambiente. E uma das suas preocupações fundamentais sempre foi influenciar pessoas sobre as práticas mais corretas para reduzir danos e preservar as espécies, fazendo do conhecimento científico um caminho para a mudança comportamental.

Este pesquisador com mestrado em Oceanografia Biológica e doutorado em Ciências, ambos pela USP, faz parte  da lista de cientistas  da UFPR classificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) como 1A – a elite da pesquisa brasileira, por ter reconhecimento no País e em centros científicos do exterior, além de ampla produção.

Paulo Lana lidera o laboratório de Bentos no CEM em Pontal do Paraná. Foto: Samira Chami Neves / Sucom – UFPR

Paulo Lana atua em cinco linhas de pesquisa: levantamento de biodiversidade de invertebrados marinhos; ecologia dos manguezais; gestão de ambientes costeiros com ênfase em manguezais;  ecologia bêntica e avaliação de impactos ambientais.  No laboratório de bentos que Paulo Lana coordena, trabalham atualmente 20 pessoas, entre técnicos do CEM, pesquisadores de mestrado, doutorado, bolsistas de pós-doutorado e ainda estagiários de ensino médio de escolas públicas de Pontal do Paraná, onde o campus está localizado. Os alunos de ensino médio trabalham no desenvolvimento de  um atlas do estuário marinho das baías de Guaratuba e Paranaguá, que será disponibilizado para consulta on-line. Segundo Lana, é uma forma de despertar nos jovens o interesse pela pesquisa e, ao mesmo tempo, proporcionar uma nova oportunidade de ensino.

Impacto de acidentes com óleo no mar

Um dos estudos de maior repercussão desenvolvidos por Lana é o que avalia o impacto de óleo e esgoto na Baía de Paranaguá, a partir de experimentos de campo e em laboratório. Ele explica que, utilizando metodologias específicas e de controle, são realizadas simulações constantes de poluição para estudar o comportamento dos animais marinhos. Em pequenas extensões são provocadas áreas de poluição com óleo e outros materiais poluentes.

Diante desse ambiente, o pesquisador e sua equipe avaliam o comportamento de duas espécies: a minhoca marinha Laeonereis acuta e  uma concha, a Anomalocardia flexuosa. São duas espécies sensíveis e que cuja reação demonstra se os organismos marinhos estão sofrendo diante da contaminação. Os resultados desses estudos são determinantes para a realização dos mapas de sensibilidade sobre as áreas mais vulneráveis, explica o pesquisador. Os experimentos servem também para prever situações de crise, como a retirada do óleo e a probabilidade de a poluição avançar para outro local.

O impacto do óleo e do esgoto no mar está entre os objetos de estudo de Paulo Lana. Foto: Samira Chami Neves – Sucom/UFPR

Citações e publicações

A classificação no grau mais elevado do CNPq representa para Lana o resultado de uma carreira, a expressão de sua produção científica. “O que me deu visibilidade foi a dimensão da pesquisa com as minhocas”, destaca o pesquisador.

A relevância do trabalho de Paulo Lana pode ser medida pelo número de citações dos seus relatos científicos: 549 vezes. O pesquisador possui 129 artigos publicados em periódicos especializados, oito livros, 21 capítulos de livros, 158 anais de congressos, participação em 46 bancas de mestrado e 26 de doutorado e sete supervisões de pós-doutorado.

Professor titular em tempo integral, ele faz parte do comitê editorial da Revista Brasileira de Zoologia e do periódico Gaia Scientia, uma publicação eletrônica da Universidade Federal da Paraíba.

Também é revisor em 19 publicações científicas de zoologia e oceanografia, diversas delas internacionais, como a Marine Biology, de Berlin (Alemanda); e o Wetlands Ecology and Management, da Flórida (EUA). Por três anos presidiu a International Polychaetological Association, que reúne cientistas de vários países dedicados ao estudo de poliquetas (vermes aquáticos).

Mesmo com tantas atribuições, Paulo Lana nunca deixou de dar aulas na graduação da UFPR, onde ingressou em 1981, como professor visitante, sendo aprovado no ano seguinte em concurso público. No curso de Oceanografia, ministra uma disciplina sobre como fazer ciência e como comunicar ciência.

Também atua no mestrado e doutorado em Sistemas Costeiros e Oceânicos (nível 4 na avaliação da Capes) e no programa de Pós-Graduação em Zoologia (também nível 4)  tendo contabilizado pelo menos 90 orientações entre mestrado e doutorado até agora.

As pesquisas e as atividades didáticas exigem presença integral nos laboratórios e, por isso, Paulo Lana mantém duas casas: uma em Pontal do Paraná, onde mora de segunda a sexta, e outra em Curitiba onde vive a família, que ele visita nos fins de semana.

Apesar de ter tempo de serviço para pensar na aposentadoria, isso não faz parte dos planos, por enquanto. Paulo Lana diz que pretende dar aulas e realizar pesquisas ainda por muitos anos. “A academia é um espaço próprio de intelectuais, de contato com novas ideias”, destaca.

Por Maria de Lurdes Welter

 

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