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Ciência e Tecnologia

Olaf Mielke: uma vida dedicada ao estudo das borboletas

Superintendência de Comunicação Social     24 de abril de 2017 - 17h25

A Universidade Federal do Paraná tem muitas áreas de excelência espalhadas por seus setores e campi. Entre elas estão laboratórios e grupos de pesquisa liderados por pesquisadores que alcançaram o topo da carreira no Brasil. São pesquisadores que, segundo os critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), se destacam entre seus pares, alcançando o nível 1A, o mais alto na modalidade de bolsas Produtividade em Pesquisa.

O portal da UFPR está publicando uma série de reportagens sobre os pesquisadores 1A da universidade e o trabalho científico que desenvolvem.

Aos 76 anos de idade, dos quais 51 na UFPR, é de se esperar dias tranquilos, em casa ao lado da família, com a sensação do dever cumprido. Nada disso faz parte do mundo do professor Olaf Hermann Hendrik Mielke, do Setor de Ciências Biológicas. Conhecido como ‘caçador de borboletas’, ele segue alimentando a coleção de 305 mil exemplares de lepidópteras (borboletas e mariposas) que mantém no Departamento de Zoologia da UFPR. Quando não está em campo, passa de seis a oito horas por dia no Laboratório de Estudos de Lepidóptera Neotropical, catalogando as coletas mais recentes.

Nascido na Alemanha, Olaf Mielke herdou a paixão pelas borboletas do pai, o taxidermista Karl MielkeFotos: Marcos Solivan -Sucom/UFPR

Autor de oito livros, de 300 trabalhos publicados em revistas internacionais e 762 trabalhos técnicos, Olaf Mielke é incansável. Ainda em abril passou cinco dias no Peru, atendendo a um convite de estudantes, e aproveitou para coletar novos exemplares de lepidópteras. Em Inácio Martins, região Sul do Paraná, capturou recentemente pelo menos 300 borboletas. O pesquisador não abandona a rede de coleta nem mesmo nos fins de semana e nas férias. Quando a família vai à praia, ele prefere o mato, onde pode encontrar borboletas.

“Ao trabalhar com borboletas é possível esquecer de todos os problemas”, diz. Entre as preferidas da coleção está a “Thisânia agrippina”, que Mielke coletou no México e pertence uma espécie que pode ter indivíduos com até 30 centímetros.

A coleção mantida por Mielke possui 305 mil exemplares de lepidópteras (borboletas e mariposas)

Mielke participou de expedições em busca de borboletas em vários países. Já deu palestras ou desenvolveu pesquisas no México, Colômbia, Argentina, Estados Unidos, Venezuela, Inglaterra, Alemanha, França, Espanha, Polônia e Rússia. Muitas vezes ele recebe indivíduos enviados por amigos estrangeiros que, como ele, são apaixonados por borboletas – e para os quais também costuma mandar exemplares.

É membro do conselho diretor da Association of Tropical Lepidoptera – USA;  sócio da Sociedade Entomológica do Brasil,  da Lepidopterists  Society, Union Des Entomologistes Belges, Association for Tropical Lepidoptera e da Sociedad Hispano Luso Americana de Lepidopterologia.

Trajetória

Nascido em Bonn, antiga capital da Alemanha, Olaf Mielke veio para o Brasil aos 11 anos, quando o pai, o taxidermista Karl Mielke, passou a trabalhar no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Foi do pai que herdou o amor pelas borboletas, quando Karl começou a fotografar a beleza e o colorido das lepidópteras. Das imagens para a primeira coleção foi um pulo. Ele lembra que ainda criança, aos 9 anos, na Alemanha, começou a guardar ovos de passarinho e mais tarde ganhou de presente uma coleção de libélulas (voadoras que costumam caçar na água). Mais tarde, no Brasil, colecionou gafanhotos e aos 12 anos tinha cerca de 300 deles.

Ainda adolescente começou a estagiar no Museu Nacional do Rio de Janeiro, auxiliando o pesquisador Ferreira de Almeida, que estudava as borboletas. As primeiras coletas foram realizadas em Nova Friburgo junto com a família do cientista. Aliando o trabalho com as fotos do pai, resolveu guardar borboletas em casa, mas como havia poucos alfinetes, cada exemplar que ia sendo capturado ocupava o lugar de um gafanhoto.  Aos 18 anos, Olaf Mielke já possuía um acervo com cerca de 500 lepidópteras – coleção que ficou no Rio de Janeiro quando passou a trabalhar na UFPR.

Foi um outro reconhecido pesquisador da área, Padre Jesus Santiago Moure (falecido em julho de 2010), fundador do Departamento de Zoologia da UFPR,  que descobriu o jovem Olaf Mielke no Museu Nacional e fez o convite para que viesse trabalhar como técnico no laboratório da UFPR, em 1966. “Padre Moure foi um grande chefe porque sabia reconhecer os talentos e valorizar a capacidade individual. Foi ele quem deu início ao museu de borboletas da UFPR, e muitas vezes ele tirava dinheiro do próprio bolso para dar sequência aos estudos”, diz Mielke.

Ao receber o convite de Padre Moure, Mielke já havia terminado o curso de graduação em História Natural na Universidade do Estado da Guanabara. Na UFPR ele fez mestrado e doutorado em Ciências Biológicas. Em 1972 fez  concurso para professor assistente e dois anos depois para adjunto. Em 1994 passou a professor titular e até hoje ministra aulas  de Entomologia na graduação em Engenharia Florestal, Ciências Biológicas e também na Pós-Graduação, como professor sênior.

O sonho de Mielke é abrir a coleção para visitação pública.

Milke se aposentou compulsoriamente 2011, após completar 70 anos. Apesar das décadas dedicadas à pesquisa, ele acredita que são conhecidas apenas 10% das espécies de borboletas existentes no Brasil – estimadas em 3.500. O recado que deixa para as novas gerações é que os estudos nessa área devem ser cada vez mais estimulados: “Uma coleção de borboletas nunca será completa. O Brasil tem clima apropriado para o desenvolvimento das borboletas e precisamos conhecer nossa diversidade”. O professor conta que coleções de borboletas podem durar centenas de anos. Ele  já estudou um exemplar coletado em 1.690 e que permanece perfeito.

Milke ainda tem um sonho: disponibilizar parte do acervo de borboletas para visitação pública. Hoje algumas espécies são mostradas apenas a estudantes de graduação, mestrado e doutorado da UFPR, quando precisam realizar suas pesquisas. Recentemente o laboratório recebeu investimentos de R$ 1,5 milhão da UFPR para a reorganização do mobiliário do acervo.

Por Maria de Lurdes Welter

 

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