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Na abertura do ciclo de debates “UFPR Pensando o Brasil”, Marcio Pochmann diz que reforma trabalhista é uma “involução” e retroage o Brasil ao século XIX

Superintendência de Comunicação Social     7 de junho de 2017 - 11h40

O reitor Ricardo Marcelo Fonseca: “A UFPR não pode ficar restrita aos seus muros e nem se furtar ao debate sobre as grandes questões nacionais. Precisa catalisar as discussões relevantes da sociedade e qualificá-las, sobretudo no momento difícil que vivemos”. Foto: Samira Chami Neves/UFPR.

A Universidade Federal do Paraná ofereceu à sociedade brasileira, na noite desta terça-feira (dia 6), mais uma prova do seu compromisso com o desenvolvimento socioeconômico do País: lançou o Ciclo de Debates “UFPR Pensando o Brasil”, concebido para qualificar e multiplicar as discussões sobre os grandes temas nacionais. A partir de agora, todo mês, a Reitoria da UFPR vai promover um amplo debate sobre  estes temas, envolvendo a sociedade paranaense, tanto em Curitiba quanto nos campi do Interior do Estado.

Para reafirmar este compromisso, a UFPR iniciou o ciclo discutindo a reforma trabalhista – uma das questões mais preocupantes da agenda nacional – com um dos mais respeitados pensadores e pesquisadores do campo democrático-popular: o professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann.

Pochmann debateu o tema com outros dois importantes convidados: Martônio Mont’Alverne Barreto Lima, professor de Direito da Universidade de Fortaleza (Unifor) e procurador do Estado do Ceará, e a economista Liana Carleial, professora-doutora do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Direito da UFPR. Promovido no Teatro da Reitoria, o debate foi mediado pela diretora do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR, professora-doutora Vera Karam de Chueiri, com as presenças de centenas de professores, pesquisadores e alunos de várias áreas.

Involução social

Pochmann, entre Martônio e Liana: “A defesa da democracia e da participação da sociedade permitirá uma mudança deste cenário, pela via eleitoral. É fundamental que isso aconteça porque vemos graves sinais de ruptura democrática, especialmente preocupantes em um País que não tem tradição democrática”. Imagem: Samira Chami Neves/UFPR.

Marcio Pochmann disse que o Brasil vive uma “involução” e uma “escassez de ideias”, o que torna necessário um profundo diálogo para a construção de um diagnóstico e de um caminho que beneficie a sociedade. “A Universidade tem papel fundamental neste processo e não pode se furtar do debate qualificado sobre os problemas nacionais. A UFPR contribui muito com este processo por apresentar à sociedade opiniões balizadas, que oferecem saídas neste momento difícil que vivemos”.

Pochmann avaliou que o projeto de reformas em curso no Brasil, iniciado em 2016 em várias esferas, é altamente prejudicial ao trabalhador brasileiro. “É um projeto que retroage o Brasil ao século XIX”, disse. Apesar disso, o professor identifica uma reação contrária  da sociedade a este projeto. “A defesa da democracia e da participação da sociedade permitirá uma mudança deste cenário no ano que vem, pela via eleitoral. É fundamental que isso aconteça porque vemos graves sinais de ruptura democrática, especialmente preocupantes em um País que não tem tradição democrática”.

Diálogo com a sociedade

O reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, disse que o ciclo de debates é a concretização de uma das metas da sua gestão: fazer com que a Universidade tenha mais voz, presença e interlocução junto à sociedade. “A UFPR não pode ficar restrita aos seus muros e nem se furtar ao debate sobre as grandes questões nacionais. Precisa catalisar as discussões relevantes da sociedade e qualificá-las, sobretudo no momento difícil que vivemos”, comentou.

Ricardo Marcelo destacou as presenças de Pochmann, Martônio e Liana na abertura do ciclo. “São grandes nomes do meio acadêmico que, com um mote interdisciplinar e pluralista, qualificam o debate e possibilitam um diálogo amplo com a comunidade interna. Mas quero também fazer um convite para que a comunidade externa participe da discussão catalisada pela nossa UFPR”, propôs.

O reitor disse ainda que a discussão sobre a reforma trabalhista e dos demais temas que serão abordados no ciclo ganha mais relevância devido ao risco da perda de direitos imposta aos trabalhadores.  “No momento em que estão colocando em perigo os direitos sociais e previdenciários dos trabalhadores, quando as universidades sofrem cortes orçamentários e diante da ausência de um projeto orgânico de Nação, é fundamental que este debate seja qualificado e fomentado pelas Universidades. É este seu papel”, comentou Ricardo Marcelo Fonseca, ao lado da vice-reitora, Graciela Inês de Muniz.

Vanguarda das discussões

O professor Martônio Barreto Lima disse que o ciclo de debates coloca a UFPR, mais uma vez, na vanguarda das discussões mais importantes do Brasil. “Mostra que a UFPR está estabelecendo um vínculo forte com a realidade do País. Isto é revelador do importante papel que exerce na sociedade”, comentou Martônio, que reforçou as críticas às reformas feitas por Marcio Pochmann.

Para ele, a reforma trabalhista em curso é um retrocesso e precariza as relações de trabalho. “Por isso, é crucial que a Universidade mostre à sociedade sua visão sobre o tema. Trazer pessoas com pensamentos distintos é importante para se atingir este objetivo, um processo que está sendo feito com muita organização pela UFPR, o que confirma a sua proeminência na academia brasileira”.

Papel das Universidades públicas

A professora Liana Carleial elogiou a iniciativa da UFPR de promover o ciclo de debates. “Aliás, esta foi a trajetória da Universidade pública no Brasil. Ela teve papel fundamental na redemocratização do País. Agora, precisa nos ajudar a encontrar os caminhos que devemos trilhar daqui para a frente”, comentou ela, que elogiou a escolha de Pochmann para a abertura dos eventos.

“Ele tem uma história brilhante em direção ao fortalecimento das instituições do Estado. É disso que precisamos: fortalecer as instituições, que estão paralisadas por causa da dificuldade de imprimir valores republicanos e democráticos à sociedade”. Liana também criticou a reforma trabalhista em curso no Congresso Nacional. “Ela não está sozinha e se cruza com a previdenciária e a terceirização. É importante que elas não aconteçam porque prejudicam o trabalhador”.

Quem é Marcio Pochmann

Marcio Pochman é doutor em Ciência Econômica pela Unicamp, onde atualmente é livre docente, e autor de vasta produção acadêmica, especialmente na área de Economia Social e do Trabalho, em temas como emprego, educação, região nordeste, programa bolsa-família e políticas de mercado de trabalho. Foi secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo entre 2001 e 2004), presidente do Ipea de 2007 a 2012 e é consultor de instituições nacionais e internacionais.

Aurélio Munhoz


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