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Ciência e Tecnologia

Fábio Pedrosa e as pesquisas que trouxeram avanço e economia para a agricultura brasileira

Superintendência de Comunicação Social     31 de maio de 2017 - 14h43

A Universidade Federal do Paraná tem muitas áreas de excelência espalhadas por seus setores e campi. Entre elas estão laboratórios e grupos de pesquisa liderados por pesquisadores que alcançaram o topo da carreira no Brasil. São pesquisadores que, segundo os critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), se destacam entre seus pares, alcançando o nível 1A, o mais alto na modalidade de bolsas Produtividade em Pesquisa.

O portal da UFPR está publicando uma série de reportagens sobre os pesquisadores 1A da universidade e o trabalho científico que desenvolvem.

 

Pedrosa trabalha no desenvolvimento de bactérias que ajudam no desenvolvimento de diversos tipos de plantas. Foto: Marcos Solivan – Sucom/UFPR

Dados da Associação Nacional de Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) mostram que mais de 3 milhões de hectares de milho e 500 mil hectares de trigo são plantados anualmente no Brasil com sementes  inoculadas  com bactérias desenvolvidas na Universidade Federal do Paraná. Isso ocorre graças aos experimentos realizados pelo Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio da UFPR, liderado pelo pesquisador Fábio de Oliveira Pedrosa. Essas pesquisas já proporcionaram economia de milhões de dólares para o País com a redução do uso de fertilizantes nas plantações de milho e trigo.

O trabalho de Pedrosa com bactérias fixadoras de nitrogênio é reconhecido em todo o País e internacionalmente. Em quatro décadas de atividade acadêmica, ele acumula centenas de milhares de dias passados em laboratórios, analisando bactérias que vão ajudar no desenvolvimento de diversos tipos de plantas. Tem nove capítulos de livros e 231 artigos publicados, com informações que foram citadas 3 mil vezes. Quase 300 participações em congressos, para explicar as novidades sobre a fixação biológica de nitrogênio.

Nascido em Alegre, no Espírito Santo, Pedrosa é professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular desde o começo da década de 1970 e um dos 13 cientistas da Federal do Paraná enquadrados na categoria 1A do CNPq, que representa a pesquisa de ponta do País. É membro também da Sociedade Brasileira de Ciência.

Em décadas de estudos, o Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio da UFPR realizou pesquisas sobre bioquímica e biologia molecular, inclusive o sequenciamento genético completo de várias bactérias. Pedrosa explica que no Brasil existem pelo menos 20 empresas produzindo sementes com as bactérias que agem como fertilizadores naturais. As bactérias Azospirillum brasilense, Herbaspirillum seropedicae, H. rubrisubalbicans, Bradyrhizobium spp e Rhizobium spp. ajudam a fixar o nitrogênio nas plantações, reduzem a incidência de pragas e aumentam a resistência à seca e a produtividade.

Em grande parte das regiões brasileiras, a inoculação de sementes com bactérias desenvolvidas na UFPR passou a ocorrer a partir de 2009. “São bactérias selecionadas no laboratório e não são transgênicas”, destaca Pedrosa.

O começo de tudo

A trajetória do professor Pedrosa sobreviveu aos contratempos. Um dos exemplos mais marcantes é o doutorado que estava programado para ser cursado na Unidade de Fixação de Nitrogênio da University of Sussex, da Inglaterra – um dos mais importantes centros de estudos sobre fixação do nitrogênio. Poucos dias antes da viagem, porém, a bolsa que havia sido concedida pelo CNPq foi cancelada.

Foi quando a professora Dea Amaral, do então Instituto de Bioquímica da UFPR, ofereceu um auxílio financeiro que o pesquisador Bernard Horecker, do Instituto Roche de Biologia Molecular Graduate School of Medical Sciences, Cornell University (cidade de Nova York, Estados Unidos) tinha lhe disponibilizado. Para receber o apoio, Pedrosa teve que mudar o foco dos estudos – mas talvez ali estivesse o seu destino.

Na Unidade de Fixação de Nitrogênio o pesquisador fez o pós-doutorado nos anos de 1982 e 1983, iniciando a pesquisa na biologia molecular das bactérias fixadoras de nitrogênio associadas a gramíneas. Desde então, já na UFPR, o Núcleo de Fixação de Nitrogênio tem aplicado técnicas de manipulação gênica para compreender melhor as bactérias fixadoras de nitrogênio e a interação que fazem com plantas e também para melhorá-las, aumentando sua eficiência agronômica.

Pedrosa faz questão de explicar que tudo o que fez até hoje teve apoio da UFPR e de agências de fomento como o CNPq, CAPES, Fundação Araucária, Fundo Paraná de Ciência e Tecnologia e Finep, e de todos os seus alunos e colaboradores, que formam uma equipe coesa e comprometida com a pesquisa.

O primeiro projeto que permitiu iniciar suas pesquisas na UFPR e o atual Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio contou com investimentos de  cerca de US$ 50 mil do Programa Nacional de Fixação do Nitrogênio, coordenado por Johanna Döbereiner, no final dos anos 70. Com esses recursos foi possível comprar cromatógrafos e oxígrafo para estudo da fisiologia de bactérias fixadoras de nitrogênio em especial o Azospirillum brasilense.

Principais projetos

Ao longo da carreira foram 21 programas de pesquisa, sendo seis grandes projetos, lembra o cientista. O primeiro deles foi desenvolvido de 1991 a 1995 e apoiado com cerca de US$ 700 mil do Programa Finep/BID, que permitiram equipar completamente o núcleo para estudos genômicos, inclusive com a compra de um sequenciador de DNA. Depois o Núcleo da UFPR foi contemplado com US$ 2,6 milhões do Pronex – Programa Nacional de Apoio a Núcleos de Excelência. Este foi um projeto em rede que Pedrosa coordenou e envolveu pesquisadores dos Departamentos de Bioquímica e Biologia Molecular e de Química da UFPR, e também a Embrapa-Soja (Londrina) e a Embrapa Cerrado (Brasília).

Após esta experiência de coordenar uma rede de pesquisa, Pedrosa dirigiu  outros grandes projetos, como o Genopar – Programa Paranaense de Genoma, que sequenciou o genoma da bactéria fixadora de nitrogênio endofítica Herbaspirillum seropedicae e que foi apoiado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná – (2001-2005) com R$ 6 milhões e pelo MCT/CNPq/PADCT com quase R$ 2 milhões.

Este projeto permitiu equipar laboratórios para pesquisa em Biologia Molecular e Genômica na UFPR, Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio e Departamento de Genética, nas universidades estaduais de Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Unioeste, e teve participação da Unipar, de Umuarama. Este foi o primeiro programa de pesquisa genômica em rede no Estado do Paraná. O genoma do H. seropedicae foi completamente sequenciado, anotado e publicado, e é referência em bancos de estudos internacionais.

Depois veio o projeto do Programa Institutos do Milênio, financiado pelo CNPq (R$ 2,1 milhões entre 2005 e 2008) e que, além dos laboratórios parceiros, incluiu outros, como a Embrapa-Agrobiologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Sul (FEPAGRO), Embrapa-Cerrados, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Embrapa-Agropecuária do Oeste, Universidade Estadual de Goiás (UEG) e Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF).

Em 2008, este grupo, liderado por Pedrosa, teve aprovado o projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fixação Biológica de Nitrogênio, que foi contemplado com R$ 7,2 milhões e desenvolveu pesquisas em fixação biológica de nitrogênio entre dezembro de 2008 a abril de 2015. Neste período, o INCT-FBN publicou 257 trabalhos científicos em periódicos internacionais indexados, 57 em periódicos nacionais, depositou seis patentes, formou 105 mestres e 54 doutores e teve centenas de alunos de Iniciação científica.

Somente no Núcleo de Fixação Biológica de Nitrogênio da UFPR fazem pesquisa, em média, 60 pesquisadores, entre docentes, mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos e acadêmicos de Iniciação Científica. Recentemente, Pedrosa teve a continuidade do INCT aprovada, mas devido à atual crise financeira do país, e corte de 44% no orçamento do Ministério de Ciências, Tecnologia, Inovação e Comunicações, os recursos não serão liberados. “Isso inviabilizará a continuidade de muitas pesquisas”, destaca o cientista.

Sementes inoculadas com bactérias desenvolvidas na UFPR estão em lavouras de todo o Brasil. Foto: Marcos Solivan

Desde 1977, o Núcleo coordenado por Pedrosa desenvolve pesquisas em parceria com pesquisadores da Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos, Argentina, México e Uruguai. Essa parceria tem permitido o intercâmbio de estudantes e a ida de doutorandos para estágio sanduíche no exterior, assim como a vinda de estudantes estrangeiros para pesquisa e cursos de mestrado e doutorado no grupo.

O Núcleo de Fixação de Nitrogênio conta com plataformas modernas para pesquisa em Genômica, Transcriptômica, Proteômica, Metabolômica e Metagenômica e tem colaborado nacional e internacionalmente com inúmeros pesquisadores, facilitando o acesso aos equipamentos do Núcleo. Estes equipamentos de ponta já permitiram o sequenciamento genômico de mais de 130 ‘estirpes’ de bactérias, de fungos patogênicos, de genomas de cloroplastos de pelo menos 30 espécies de plantas.

Sonho

Pedrosa conta que ainda alimenta o sonho de construir super bactérias fixadoras de nitrogênio e de transferir os genes de fixação de nitrogênio para as plantas.

Ele afirma que o Núcleo não teria atingido a proeminência nacional e internacional que tem hoje sem o apoio de sua família e o trabalho competente dos seus colegas pesquisadores da UFPR, os professores Liu Un Rigo, Shigehiro Funayama, Emanuel Maltempi de Souza, Maria Berenice Reynaud Steffens, Rose Adele Monteiro, Leda Satie Chubatsu, Leonardo Machado Cruz, Roseli Wassem, Ana Cláudia Bonatto, Luciano Fernandes Huergo, e Marcelo Muller dos Santos, e de todos os alunos de mestrado, doutorado, pós-doutorado, iniciação científica, que se formaram nos Laboratórios, além dos técnicos Roseli Prado, Valter Baura, Marilza Lamour e Julieta Pie.

Entre os profissionais que incentivaram Fábio Pedrosa a seguir o caminho da pesquisa estão Johanna Döbereiner, Bernard Horecker, Geoffrey Yates e Dea Amaral. Ele lembra com carinho também da cientista Glaci Zancan,  amiga e conselheira fiel, que chegou a presidir a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Por Maria de Lurdes Welter

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