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Estudo em parceria entre UFPR e universidade alemã descreve a identificação e síntese de compostos inéditos com atividade antimicrobiana

Helen Mendes     18 de abril de 2017 - 9h12

Um artigo na área de ecologia química publicado em março no periódico Angewandte Chemie, uma das revistas científicas mais conceituadas do mundo, descreve como duas espécies de bactérias sintetizam compostos, até então inéditos, que possuem atividade antimicrobiana, inibindo o crescimento de culturas de Staphylococcus aureus. O artigo tem autoria de Diogo Montes Vidal, pesquisador de pós-doutorado do Departamento de Química da UFPR, e é resultado dos seus estudos de doutorado na UFPR, com período sanduíche na Technische Universität Braunschweig, na Alemanha.

O artigo, publicado em 9 de março, apresentou o estudo da ecologia química de duas espécies de bactérias, Pseudomonas veronii e Micromonospora echinospora. Ao estudar em detalhe os compostos emitidos por essas duas bactérias, a equipe descobriu uma nova classe de produtos naturais. Entre esses compostos, estão as chamadas nitrilas alifáticas de cadeia longa, e uma dessas nitrilas mostrou atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus, incluindo cepas resistentes.

A Staphylococcus aureus não é sempre patogênica, mas é uma causa comum de infecções na pele, infecções respiratórias e intoxicação alimentar. O surgimento de variedades de S. aureus resistentes a antibióticos é um grande problema para a medicina no mundo todo.

O orientador de Diogo Vidal na UFPR e coordenador desse projeto é o professor do Departamento de Química Paulo Henrique G. Zarbin, que explica que esse trabalho é uma parceria com o grupo do professor Stefan Schulz, na Alemanha. Zarbin também coordena o Laboratório de Semioquímicos da UFPR. Semioquímicos são as substâncias químicas envolvidas na comunicação entre os seres vivos, como os feromônios.

“Há tempos temos uma parceria bastante produtiva com vários colegas na Alemanha, com intercâmbio entre alunos e docentes, que culminou agora com essa publicação científica de excelência”, aponta. “Já enviamos três alunos para a Alemanha para realizar doutorado sanduíche e um quarto está previsto para agosto. Dois professores alemães já visitaram várias vezes o Brasil e o Departamento de Química da UFPR e ministraram seminários, cursos e participaram de congressos específicos da área, além de dois alunos que vieram para o Brasil por um período de três semanas”, enumera Zarbin.

O professor destaca que essa parceria com os grupos da Alemanha, financiada pelo CNPq, tem gerado resultados importantes. Além do artigo de Diogo Vidal, outros sete já foram publicados, sendo dois deles com bastante destaque, ilustrando a capa das respectivas revistas (European Journal of Organic Chemistry e, mais recentemente, Tetrahedron Letters). Ambos os trabalhos descrevem a identificação de feromônios de insetos e seu emprego como metodologia alternativa para o controle de pragas.

O artigo e a parceria entre a UFPR e a Technische Universität Braunschweig foram destaque em uma matéria publicada pelo CNPq. Clique aqui para ler a matéria.

Acesse aqui o artigo completo no periódico Angewandte Chemie.

Com informações da Coordenação de Comunicação Social do CNPq


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