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Ciência e Tecnologia

Antonio Mangrich: a natureza como inspiração para a ciência

Helen Mendes     3 de abril de 2017 - 14h11

A Universidade Federal do Paraná tem muitas áreas de excelência espalhadas por seus setores e campi. Entre elas estão laboratórios e grupos de pesquisa liderados por pesquisadores que alcançaram o topo da carreira no Brasil. São pesquisadores que, segundo os critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), se destacam entre seus pares, alcançando o nível 1A, o mais alto na modalidade de bolsas Produtividade em Pesquisa.

Nas próximas semanas, o portal da UFPR publicará uma série de reportagens sobre os pesquisadores 1A da universidade e o trabalho científico que desenvolvem.

 

 

Há quase trinta anos na UFPR, Antonio Mangrich trabalhou fortemente na criação da Pós-Graduação em Química – hoje conceito 6 na Capes. Foto: Samira Chami Neves

O professor Antonio Salvio Mangrich conduz sua vida de pesquisador com base numa crença: a de que os processos desenvolvidos por químicos para projetos ambientais devem imitar a natureza. “O que está na natureza passou por milhares de anos de evolução. Por que vamos inventar uma coisa nova?”, questiona. Professor sênior e bolsista de produtividade em pesquisa nível 1A do CNPq, Mangrich aplica essa filosofia em seu laboratório, no desenvolvimento de importantes pesquisas na área de solos e fertilizantes, entre outros.

Mangrich veio em 1989 da Universidade Federal do Rio de Janeiro para a Universidade Federal do Paraná, para ser professor de Química na pós-graduação em Ciências do Solo, do Setor de Ciências Agrárias. Na época, a UFPR não tinha um programa de pós-graduação em Química. Mangrich, então, organizou um grupo de professores para a criação de um mestrado na instituição. “Lutamos muito para criar o mestrado. Depois criamos o doutorado, e hoje nós somos conceito 6 na Capes, com grande possibilidade de ir a 7 [o conceito mais alto da Capes]”. Em 2017, o Programa de Pós-Graduação em Química comemora 25 anos de sua implantação na UFPR.

Mangrich foi presidente da Sociedade Brasileira de Química de 2006 a 2008. Atualmente, faz parte do Comitê Gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energia e Ambiente, um dos centros de pesquisa em áreas estratégicas do programa conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Ciência global e tecnologia local

As pesquisas do professor Mangrich são relevantes para muitos problemas enfrentados no Brasil.

“A ciência é global, mas a tecnologia tem que ser local”, destaca. “Os outros países não vão resolver nossos problemas, eles vão desenvolver tecnologias para resolver os problemas deles”, diz o professor, que participa com frequência de eventos internacionais, além de trabalhar em parcerias com universidades internacionais, como a Universidade de Karlsruhe, na Alemanha.

Um ótimo exemplo dessa ideia na prática é uma pesquisa feita em parceria com a Universidade Federal do Sergipe (UFS). Nesse projeto, Mangrich criou um método para reter água no solo na região Nordeste. Ele explica que o problema da seca no Nordeste não é causado só pela falta de chuvas – em certos períodos chove até demais –, mas também pelo solo arenoso e pelo índice de insolação da região, que fazem com que a água penetre no solo e seja evaporada. Com o método criado, o próprio agricultor produz a sua matéria orgânica e joga no solo para reter água. “Não precisa de projetos mirabolantes nem de grandes verbas”, explica.

Esse trabalho foi apresentado em um congresso mundial de solos em Paris no ano passado, e em uma reunião da American Chemical Society, em 2015, e virou capítulo de um livro sobre desafios e soluções da água em escala global.

Uma das tarefas do professor é colaborar com jovens pesquisadores que chegam ao Departamento de Química. “Abrimos as portas do laboratório, fazemos pesquisas em conjunto”. Foto: Samira Chami Neves

A primeira patente que a UFPR vendeu para a indústria foi de um produto criado pelos professores Mangrich e Fernando Wypych, também do Departamento de Química: um fertilizante para liberação lenta e controlada de nitrogênio, nutriente essencial para as plantas, que pode ser aplicado em qualquer tipo de solo ou cultura.

Os resultados dessa transferência de tecnologia não foram os esperados, mas o professor conta que de lá para cá foram aprendendo mais sobre transferência de tecnologia. Hoje o professor tem uma patente de um produto desenvolvido com uma aluna de pós-doutorado, para a remoção de uma substância tóxica do óleo de transformadores usados nas redes elétricas. O professor apresentou a solução para a indústria. “Eles ficaram maravilhados e nos pediram para registrar a patente. Foi o que fizemos, pelo escritório de patentes da universidade”, conta.

Muitas dessas pesquisas servem para ajudar na solução de problemas ambientais. É o caso de uma tecnologia desenvolvida há muitos anos por uma empresa do Rio Grande do Sul. O professor Mangrich foi consultor dessa empresa. O material produzido ajudou, com muita eficiência, na purificação da água em Governador Valadares, município atingido pela enxurrada de lama depois do rompimento de duas barragens em Minas Gerais, em 2015.

Trata-se de um polímero desenvolvido a partir da planta acácia negra, que acelera a decantação da lama. O produto foi usado pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Governador Valadares e permitiu a retomada da captação da água do Rio Doce antes das outras cidades. O professor acrescenta que muitas empresas importantes recorrem à UFPR para melhorar seus produtos. “Devemos estimular o empresariado nacional nesse sentido”, diz.

Mangrich também foi consultor da Petrobras no Projeto Xisto Agrícola, para aproveitar subprodutos do xisto na agricultura. A exploração de xisto (um tipo de rocha) para produção de óleo e gás combustíveis é uma importante atividade econômica realizada em São Mateus do Sul, no Paraná.

Orgulho

Mangrich mantém um mural com as publicações de artigos mais recentes dos pesquisadores de seu laboratório. Foto: Samira Chami Neves

“Hoje nós temos um corpo docente muito bom na área de Química”, assegura. Uma das tarefas de Mangrich é colaborar com os jovens doutores que chegam ao Departamento de Química da UFPR. “Abrimos as portas do laboratório, fazemos projetos em conjunto. Isso me dá muita satisfação”, diz. Para ele, jovens pesquisadores de outros estados devem ser incentivados a vir para a UFPR. “Eles não devem pensar que as coisas só funcionam onde foram formados, funcionam aqui também. E os pesquisadores mais velhos devem dar guarida aos jovens doutores que chegam – e para a nossa sorte são muito bem formados. Sem eles a nossa universidade não vai para a frente”, aponta.

O professor diz que sente muito orgulho da Universidade Federal do Paraná: “Temos que olhar para a UFPR com carinho extremo, por seu importante papel em Curitiba, no Paraná e no Brasil”.

Um exemplo do reconhecimento da comunidade acadêmica ao trabalho do professor Mangrich é um prêmio criado na pós-graduação do Departamento de Química, em 2012, e batizado como “Prêmio Antonio Salvio Mangrich de Produtividade Científica, destinado a estudantes de graduação ou pós-graduação, e seus orientadores, que publicaram trabalhos em periódicos com maiores fatores de impacto no ano anterior.

Por Helen Mendes


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